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Credora americana aceita Bitcoin em hipotecas e movimenta mercado

A Newrez, uma das principais financiadoras imobiliárias nos Estados Unidos, trouxe uma novidade interessantíssima: a partir de fevereiro, vai aceitar Bitcoin, Ethereum e stablecoins como ativos para qualificação de hipotecas. Essa notícia fez o preço do Bitcoin se manter firme acima de US$ 96.500, com uma valorização de 1,8% em 24 horas. O Ethereum também subiu, avançando 2,4% no mesmo período. Esse movimento é emblemático, especialmente com o mercado de criptomoedas consolidando seu valor em mais de US$ 3 trilhões.

Curiosamente, o volume diário de negociação do Bitcoin ficou em torno de US$ 28 bilhões, mostrando uma resposta cautelosa à novidade. Tecnicamente, o Bitcoin está acima das médias móveis de 50 e 200 dias, com valores em US$ 94.200 e US$ 88.600, respectivamente. O cenário econômico é favorável, com uma abertura maior das regulamentações nos EUA e uma pressão crescente para que as criptos sejam integradas ao sistema financeiro tradicional.

Esse avanço é particularmente relevante para investidores aqui no Brasil. Ele pode influenciar bancos e fintechs locais na forma como avaliam ativos em cripto. Em um ambiente onde muitos ainda têm dificuldades para comprovar renda ou patrimônio, essa mudança pode revolucionar o acesso ao crédito, especialmente nos próximos anos.

O que muda quando cripto entra no crédito imobiliário?

Com a Newrez aceitando BTC, ETH, ETFs spot aprovados pela SEC e stablecoins atreladas ao dólar, os clientes poderão usar esses ativos para compor o cálculo patrimonial das hipotecas. Um detalhe importante é que esses ativos precisam estar custodiados em exchanges reguladas nos EUA ou em instituições supervisionadas. Isso diminui os riscos operacionais, o que é uma boa notícia para quem está de olho nesse tipo de financiamento.

Até setembro de 2025, a Newrez já tinha originado US$ 44,5 bilhões em financiamentos. Isso dá um peso significativo a essa decisão. Diferentemente de fintechs menores, como a Milo, é a primeira vez que um dos cinco maiores credores do mercado formaliza a aceitação de criptomoedas. Essa mudança sinaliza que o uso de criptos como forma de pagamento em serviços financeiros tradicionais está se tornando cada vez mais aceitável.

Newrez cria precedente institucional para cripto

Essa decisão não veio do nada. Está alinhada com uma diretriz federal recente que orientou Fannie Mae e Freddie Mac a reconhecerem os ativos digitais nos processos de concessão de crédito. Essa medida indica que cada vez mais investidores jovens, que possuem fortunas em cripto, estão se tornando uma força relevante no mercado.

No entanto, a mudança deve ser vista como estrutural, não imediata. Atualmente, há uma queda do supply de BTC nas exchanges, cerca de 11,8%, o menor nível em cinco anos. Isso sugere que os investidores estão preferindo manter seus ativos em custódia de longo prazo, diminuindo assim a pressão vendedora e mantendo suportes importantes em US$ 95.000 e US$ 92.000.

A inclusão de ETFs como ativos elegíveis para crédito conecta o setor imobiliário à demanda institucional, refletindo uma tendência de crescimento de ativos reais tokenizados. Para investidores brasileiros, essa movimentação reforça a ideia de que as criptomoedas estão se transformando de um mero ativo especulativo para um componente importante no patrimônio das pessoas.

Quais são os riscos e limitações dessa adoção?

Por mais animadora que seja a notícia, existem limitações a serem consideradas. A volatilidade do Bitcoin, que ainda apresenta uma variação anual superior a 45%, exige uma avaliação cuidadosa e criteriosa. Se o preço cair abaixo de US$ 92.000, isso pode fazer os investidores e instituições tomarem cuidado novamente.

Além disso, a exigência de que os ativos estejam custodiados em plataformas reguladas exclui uma parte dos investidores que optam pela autocustódia. Essa nova política não permite que ativos em DeFi sejam usados, limitando, assim, o alcance da iniciativa.

No fim das contas, a decisão da Newrez não vai fazer o preço do Bitcoin disparar imediatamente, mas fortalece todo o sistema que sustenta ciclos de alta mais sólidos. Para os brasileiros, a mensagem é clara: as criptomoedas estão cada vez mais integradas ao sistema financeiro global, e estar atento a esses desenvolvimentos pode abrir portas para novas oportunidades no futuro.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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